A Nintendo detectou uma fórmula em particular efetivo em Wii Sports: transformar movimentos simples em minigames divertidos, acessíveis até para quem não costuma jogar videogame. Duas décadas depois da estreia da série, Nintendo Switch Sports Resort recupera essa essência e a combina com mais atividades, exploração e opções para jogar sozinho.
O título reúne 12 modalidades esportivas, incluindo clássicos como tênis, boliche e golfe, além de novidades como skate e até luta de polegares. O retorno à Ilha Wuhu, cenário conhecido de Wii Sports Resort, também dá uma identidade própria à experiência, que deixa de se limitar às arenas esportivas.
A coletânea é bastante completa e acessível, com potencial para agradar a gregos e troianos. Apesar disso, a variedade não significa que todos os esportes tenham a mesma qualidade, enquanto algumas limitações dos controles por movimento seguem presentes.
12 modalidades para diferentes estilos de jogador
O principal atrativo de Nintendo Switch Sports Resort é a variedade. São 12 modalidades com regras, movimentos e estratégias diferentes, embora todas mantenham a proposta de serem fáceis de aprender.
Tênis, boliche, golfe, boxe e vôlei retornam como opções familiares, enquanto basquete, tênis de mesa e tiro com arco ampliam as possibilidades. Power Cruising e Prop Plane, por sua vez, oferecem atividades que combinam competição e exploração. Entre as maiores novidades, skate e luta de polegares ajudam a renovar a seleção.
Os controles dos Joy-Con 2 seguem sendo o centro da experiência. Ao invés de depender de combinações complicadas de botões, o jogador reproduz gestos que lembram os movimentos dos esportes reais. Essa simplicidade permite que pessoas com diferentes níveis de experiência participem da mesma partida sem precisar passar por longos tutoriais.
A variedade também impede que o jogo dependa de uma única modalidade para funcionar. O boliche é uma opção imediata para unir várias pessoas, enquanto o tênis de mesa exige mais precisão e o tiro com arco recompensa quem aprende a lidar com a distância e as condições de cada desafio.
Porém, nem tudo funciona com a mesma naturalidade. O basquete pode apresentar comandos menos intuitivos, em particular nas ações de movimentação e drible. Já no tênis, o momento do movimento influencia o direcionamento da bola, mas nem sempre promove um nível de controle ideal.
Essas limitações não eliminam a diversão, mas mostram que a simplicidade dos comandos poderá também diminuir a precisão e a sensação de domínio sobre algumas partidas.
Ilha Wuhu ganha importância na experiência
A principal evolução em relação ao primeiro Nintendo Switch Sports fica na maneira como o cenário participa do jogo. A Ilha Wuhu fica perfeitamente disponível para exploração, pretendendo entregar uma experiência semelhante ao seu “primo” do Wii.
Os modos de passeio permitem percorrer a área de skate, navegar com uma moto aquática ou sobrevoar o mapa em um pequeno avião. Durante esses trajetos, é plausível descobrir pontos de interesse, cumprir objetivos e encontrar itens colecionáveis.
A proposta dá um ritmo diferente à experiência. Ao invés de alternar exclusivamente entre partidas rápidas, o jogador pode passar um tempo explorando a ilha sem a pressão de vencer uma competição. O cenário tropical, os detalhes espalhados através do mapa e a trilha sonora ajudam a criar um clima bem cozy.
O skate também se destaca por desfrutar o modo mouse dos Joy-Con 2, usado para simular o impulso necessário para ganhar velocidade. A ideia demonstra como os recursos do novo console podem servir atividades que não funcionariam da mesma maneira nas gerações anteriores.
Já a adaptação pode exigir um pouco mais de prática de quem fica acostumado a jogos com movimentação convencional. Além do que, algumas posições dos controles podem se tornar desconfortáveis depois de sessões prolongadas.
Ainda assim, a exploração é uma adição importante. A Ilha Wuhu ajuda a conectar as modalidades e promove motivos para continuar jogando mesmo quando a vontade não é disputar outra partida.
Modo solo mais robusto
Historicamente, a série Sports encontra sua melhor versão no multiplayer, mas Nintendo Switch Sports Resort faz um esforço maior para atender quem joga sozinho.
O destaque é o modo Coroa da Ilha, no qual o jogador enfrenta adversários controlados através do computador e sobe de posição em diferentes modalidades. Os desafios ficam mais difíceis conforme a progressão avança, com mudanças nas condições das partidas e oponentes que exigem mais habilidade.
A estrutura cria um objetivo de longo período que vai além de simplesmente conseguir uma pontuação melhor. Para quem gosta de aprimorar movimentos e superar desafios progressivamente mais difíceis, é uma adição bem-vinda.
O jogo também promove recompensas e itens de personalização. Os pontos obtidos nas atividades poderão ser usados para desbloquear roupas, acessórios e outros elementos cosméticos (tudo aleatoriamente). É plausível jogar com os personagens Sportsmates ou optar pelos tradicionais Miis, preservando parte da identidade visual que acompanha a franquia desde o Wii.
Mesmo com essas melhorias, o modo solo não transforma as modalidades em experiências profundas. Os esportes seguem funcionando como minigames relativamente rápidos e a repetição pode pesar depois de muitas partidas. A progressão também depende de desafios que nem sempre apresentam variações suficientes para manter o mesmo nível de interesse.
Multiplayer continua sendo o grande destaque
Jogar com amigos ou familiares continua sendo a melhor maneira de desfrutar Nintendo Switch Sports Resort. Os comandos acessíveis facilitam a entrada de novos que participam, enquanto a variedade permite alternar entre partidas mais tranquilas e disputas acirradas.
O multiplayer local preserva a essência de Wii Sports: boa parte da diversão surge das reações dos jogadores, das tentativas de superar o adversário e das situações inesperadas que aparecem durante as partidas. É uma experiência em particular adequada para reuniões e encontros em que nem todos têm familiaridade com videogames.
O jogo também promove opções online, incluindo partidas casuais e ligas competitivas. O sistema de salas para amigos permite unir que participam e alternar entre modalidades sem que todos precisem ficar apreendidos ao mesmo esporte durante a sessão. Variantes especiais, como partidas de boliche com 100 pinos, acrescentam alternativas às regras tradicionais (algo em particular interessante nos esportes tradicionais da série).
Essa flexibilidade reforça o valor da coletânea. Existe espaço tanto para quem pretende somente se divertir por alguns minutos quanto para jogadores que desejam acompanhar sua evolução em partidas competitivas.
Por outro lado, o conteúdo é menos convincente para quem busca uma experiência esportiva com simulação aprofundada. A proposta não é reproduzir cada modalidade com todas as suas regras e possibilidades, mas transformar seus elementos mais reconhecíveis em atividades acessíveis.
Vale a pena?
Nintendo Switch Sports Resort é uma evolução consistente da fórmula da Nintendo. As 12 modalidades oferecem variedade, a Ilha Wuhu dá mais personalidade ao conjunto e os novos modos corrigem parte da falta de objetivos para quem joga sozinho.
O maior mérito fica em equilibrar acessibilidade e variedade. Crianças, adultos e jogadores casuais podem encontrar uma atividade de que gostam, enquanto o multiplayer promove motivos para voltar ao jogo em diferentes ocasiões.
A experiência não supera o impacto cultural do primeiro Wii Sports (que teve a vantagem do fator novidade), mas entrega um conjunto mais completo do que as edições anteriores. O jogo prova que a Nintendo não precisa reinventar a fórmula para exibir sua força: basta oferecer esportes fáceis de aprender, uma ilha convidativa para explorar e boas razões para unir as pessoas de frente à TV.
Com informações de Portal do Nerd



