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O Centro de Cidadania LGBTQIA+ é um equipamento público, de atendimento especializado à população LGBTQIA+, em especial vítimas de LGBTfobia ou pessoas em vulnerabilidade. O órgão concede atendimento técnico e multiprofissional (psicossocial, socioassistencial, jurídico e pedagógico) para a prevenção e o enfrentamento da violência LGBTfobia, a promoção de direitos, o fortalecimento da cidadania e a construção da autonomia através de cursos profissionalizantes.
O Centro de Cidadania LGBTI também se articula com agentes públicos, privados e da sociedade civil para solidificar e integrar a Rede de Promoção e Defesa de Direitos Humanos e Cidadania, ampliando a visibilidade e o conhecimento sobre a temática.
Atualmente no Centro de Cidadania LGBTI Claudia Wonder são promovidos acompanhamento jurídico para a mudança do nome social, oportuniza a elevação da escolaridade com o auxílio de projetos governamentais, a capacitação em diversas regiões e a possibilidade de inserção no mercado de trabalho, serviço social e psicológico, além de rodas de conversa e a formação de Transmultiplicadoras.
Estes equipamentos públicos são geridos em modelo de colaboração (LEI nº 13.019/14 – Marco Regulatório do Terceiro Setor) com Organizações Sociais da sociedade civil e, este é o caso do Centro de Cidadania Oeste, gerido através da Casarão Brasil, associação sem fins lucrativos que existe 16 anos luta através da cidadania e direitos dos cidadãos LGBTI. Entre suas atividades estatutárias estão projetos voltados especificamente para os cidadãos LGBTI e, este foi um dos motivos para que, em 2020, a OSC tenha sido contemplada em edital da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, com o auxílio de chamamento público publicizado através do poder público, sagrando-se vencedora e inaugurando o espaço na zona oeste da cidade de São Paulo.
Além dos atendimentos com equipe multidisciplinar, a Casarão Brasil, através do Centro de Cidadania LGBTI Claudia Wonder, fomentou parcerias para fornecer a população LGBTQIA+ aulas de informática, yoga, dança, gastronomia (panificação, salgadaria e confeitaria), corte e cor de cabelos, cursos de idiomas, auxiliar administrativo, confecção de perucas, cuidador de idosos e reforço escolar. Também já concedeu espaços terapêuticos e culturais como rodas de conversa terapêuticas, arte terapia, cinema, saraus, passeios a museus e teatros e oficinas sobre cidadania e direitos.
Todo este trabalho é feito com louvor e mérito através da ONG Casarão Brasil – Associação LGBTI existe 4 anos e nasceu justamente com esta missão, cuidar dessa população. Além de ser reconhecida por toda comunidade pelos resultados positivos de atuação e gestão. Só em 2023 a equipe da ONG chegou a fazer aproxamadamente 4.283 atendimentos divididos entre todas as especialidades e chegou a atender aproxamadamente 200 pessoas cadastradas no Programa Transcidadania. A grande parte destas pessoas hoje atendidas não preserva contato algum com familiares, e neste espaço criou-se um vínculo importante de se trazer em conta na hora da gestão pública pensar neste tipo de troca de gestão/gestão. A descontinuidade de gestão de projetos sociais e assistenciais deve ser mais bem debatida através da opinião pública e sociedade civil, sendo a consulta pública para estes editais de chamamento público importante mecanismo de participação dos reais assistidos por estes programas e lapidação de políticas públicas.
Para preservar a inclusão cidadã de suas beneficiárias e beneficiários através de princípios e temas transversais como a promoção de saúde mental, capacitação para a empregabilidade e cuidado com a saúde básica e sexual (prevenção e testagem contra IST´s). Campanhas e eventos foram promovidos todos os meses para marcar esses temas e as datas importantes para a cidadania da população LGBTQI+. Em nome desses objetivos foram firmadas parcerias com CAPS, UBS, NPJ, CAEF, ambulatórios pata cuidados com os cidadãos 60+ e abuso de substâncias, descomplica, defensoria pública, SAE e escritórios de advocacia.
O espaço conta com um corpo de psicólogos, assistentes sociais, assistência jurídica e cursos profissionalizantes, respeitando a diversidade sexual. Além de promover ações que vão desde as questões de saúde, como distribuição de insumos de proteção sexual e conscientização sobre prevenção de doenças IST’s, resgatando a autoestima de dezenas de assistidos LGBTQIA+.
Ainda em momento eleitoral na Prefeitura da cidade de São Paulo, foi aberta a licitação sobre uma nova Gestão dos Centros e Unidades Móveis de Referência em Direitos Humanos e Cidadania LGBTQIA+. A licitação já teve um vencedor, o Instituto Claret – Caridade e Desenvolvimento Humano. Trata-se de uma planejamento composta por membros da Igreja Católica, que tem como foco desenvolvimento educacional para crianças e jovens, sem experiência com os cidadãos LGBTQIA+. O segundo colocado, a Associação Lyra se trata de uma ONG atuante na zona leste de São Paulo e tem exclusivamente poucos meses de trabalho desde a sua fundação. Neste novo certame, de 2024, o Centro de Cidadania LGBTI Claudia Wonder foi um dos últimos colocados no processo seletivo, ainda que desde sua inauguração tenha proporcionado atendimento instruido, e visitas de vários lugares do Brasil e América Latina para repasse de conhecimento e experiências, e seu contrato de gestão dura até o dia 15 de dezembro. A mesma situação vive o Centro de Cidadania LGBTI Luana Barbosa dos Reis,localizado na zona norte. No certame, a OSC ASCED, atual gestora do equipamento existe através do menos 6 anos, foi preterida através da mesma instituição católica.
Com a mudança, a preocupação dos assistidos tomou conta do Centro de Cidadania da zona oeste que, além do que, pode ser fechado e alterado seu território, tornando o acesso mais difícil para os cidadãos LGBTQIA+ que
frequenta e se capacita no Centro Claudia Wonder. Existe uma prerrogativa no atendimento psicossocial desta população no que tange a referências, rotinas,hábitos diários, e a referência com o território mostra-se um ponto nevrálgico no atendimento junto à esta população em vários estudos em curso. E fica também a preocupação de que se uma entidade religiosa seria a melhor opção para cuidar das ações, comparado com a ONG que já tem este propósito em seu DNA .
Imagem: Propaganda
Mais em: Centro de Cidadania LGBTI Claudia Wonder e Fasyner Comunicações
Com informações de Revista Campinas


