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Mesmo com a popularização das canetas para emagrecimento, especialistas alertam que elas não substituem a cirurgia bariátrica nos casos de obesidade grave e que a escolha do tratamento deve ser individualizada.
Com o crescimento do uso de remédios para emagrecimento, como as chamadas “canetas”, muitas pessoas passaram a acreditar que a cirurgia bariátrica deixou de ser necessária. No entanto, especialistas reforçam que esses remédios não substituem a cirurgia nos casos em que ela já fica indicada. Embora representem um avanço importante no tratamento da obesidade, cada estratégia tem indicações específicas e deve ser individualizada.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), o Brasil faz em torno de 80 mil cirurgias bariátricas por ano e ocupa a segunda posição mundial em número de procedimentos, atrás exclusivamente dos Estados Unidos. Já a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) estima que em torno de um em cada três brasileiros vive com obesidade, reforçando a necessidade de diferentes estratégias para o tratamento de uma doença considerada crônica e multifatorial.
O Ministério da Saúde também reforça que a cirurgia bariátrica continua sendo uma das principais estratégias para o tratamento da obesidade grave. De acordo com a Linha de Cuidado da Obesidade no Adulto, o procedimento é indicado depois de o insucesso do tratamento clínico e deve ser feito mediante critérios rigorosos, com acompanhamento de uma equipe multiprofissional antes e depois da cirurgia.
Quando a cirurgia bariátrica é indicada?
O Dr. André Augusto Pinto, cirurgião geral e do aparelho digestivo da Clínica Gatro ABC, explica que existe a falsa impressão de que as novas medicações substituíram a cirurgia, quando, na realidade, cada tratamento tem indicações diferentes.
“Os medicamentos representam um grande avanço no tratamento da obesidade e beneficiam muitos pacientes. No entanto, existem casos em que eles não são suficientes para promover uma perda de peso capaz de controlar as doenças associadas. Nesses pacientes, a cirurgia bariátrica continua sendo o tratamento mais eficaz.”
Conforme o Ministério da Saúde, a cirurgia pode ser indicada para pacientes com:
- IMC igual ou superior a 50 kg/m²;
- IMC entre 40 e 49,9 kg/m², depois de, no mínimo, dois anos de tratamento clínico sem sucesso;
- IMC entre 35 e 39,9 kg/m², quando existe doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial ou apneia obstrutiva do sono, e ausência de resposta ao tratamento clínico.
As canetas substituem a cirurgia?
Embora os remédios tenham revolucionado o tratamento da obesidade, especialistas alertam que eles não eliminam a necessidade da cirurgia para pacientes com obesidade grave.
“É importante entender que não existe competição entre os tratamentos. A escolha depende das características de cada paciente. Em alguns casos, insistir apenas na medicação pode atrasar uma intervenção que oferece maior benefício clínico. Além disso, é importante lembrar que, após a interrupção das medicações, muitos pacientes podem apresentar reganho de peso quando não há mudanças consistentes no estilo de vida e acompanhamento médico.”
Outro momento importante é que a obesidade é uma doença crônica. Por isso, tanto pacientes que utilizam remédios quanto aqueles submetidos à cirurgia bariátrica precisam manter acompanhamento médico, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento nutricional para preservar os resultados obtidos.
A cirurgia é exclusivamente uma etapa do tratamento
O Ministério da Saúde também destaca que a cirurgia bariátrica não se resume ao procedimento cirúrgico. O paciente deve ser seguido por uma equipe multiprofissional composta por cirurgião, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, enfermeiro e outros profissionais de saúde, preservando segurança, prevenção de deficiências nutricionais e manutenção da perda de peso a longo período.
O sucesso da cirurgia bariátrica não depende exclusivamente do procedimento. O acompanhamento contínuo por uma equipe multiprofissional é essencial para que o paciente mantenha hábitos saudáveis, reduza o risco de reganho de peso e alcance uma melhora duradoura na qualidade de vida. Neste contexto, a cirurgia deve ser encarada como uma ferramenta importante dentro de um tratamento completo e contínuo da obesidade, e não como uma solução separada.
Dr. André Augusto Pinto – Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo
CRM-SP: 78.136
RQE: 18.764 | 133.354
Imagens: Difusão
Mais em: Dr. André Augusto Pinto e Rojas Comunicação
Com informações de Revista Campinas



