Vários setores envolvidos apresentaram as ações e planos de cada área prevendo o “Super El Niño” este ano
A Prefeitura Municipal de Campinas apresentou na próxima quarta, 17 de junho, um pacote de ações estratégicas e integradas para diminuir os impactos do fenômeno El Niño. As medidas buscam proteger os cidadãos, a infraestrutura urbana e os serviços públicos diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.
As ações estão alinhadas ao Plano Local de Ação Climática e ao Plano Local de Resiliência e Redução de Riscos de Desastres.
“O enfrentamento das mudanças climáticas é de toda a sociedade e do governo para amenizar e reduzir os riscos para a população. Há uma previsão do El Niño, de moderado a forte, que realmente nos preocupa”, falou o prefeito Dário Saadi.
As ações anunciadas na próxima quarta incluem:
Monitoramento e alertas
Integração das equipes da Defesa Civil, Saúde, Clima, Serviços Públicos e Assistência Social para resposta a eventos extremos.
Instalação de 21 estações meteorológicas nos 18 setores de risco da cidade. Já foi instalado o primeiro, no Museu da Imagem e do Som. Investimento total de R$ 350.700,00.
Emissão de alertas à população com o auxílio de celulares e painéis digitais.
Adaptação ao calor
Climatização do Hospital Ouro Verde. Valor presumido em R$ 3,5 milhões. Previsto para novembro de 2026.
Climatização de 42 escolas municipais a contar de agosto. Valor presumido em R$ 4,9 milhões.
Troca de telhados em 50 escolas municipais. A medida diminui em até 20% a sensação térmica nos ambientes escolares.
Plantio de árvores em escolas municipais, com prioridade para regiões mais vulneráveis às ondas de calor.
Refúgios climáticos e hidratação
Criação de uma rede de refúgios climáticos para os cidadãos. Os espaços contarão com sombra, regiões climatizadas, bebedouros e estrutura de acolhimento. Praças, bibliotecas e outros equipamentos públicos conseguirão integrar a rede.
Instalação de 40 bebedouros públicos para hidratação e bem-estar dos cidadãos em pontos vários da cidade. Destes, sete já foram instalados. Valor total de R$ 102 mil.
Prevenção de incêndios e soluções baseadas na natureza
Inauguração do reservatório da Mata de Santa Genebra para apoio ao enfrentamento a incêndios. A estrutura fica instalada, com previsão de entrar em funcionamento até o final de junho 2026.
Implantação de mais 15 microflorestas, até março de 2027, em regiões reconhecidas como ilhas de calor. O município já conta com 27 microflorestas prontas.
Infraestrutura e resiliência
Implantação de três parques lineares na área central da cidade a contar do começo de 2027, no valor total de R$ 23 milhões. As intervenções estão associadas às obras de macrodrenagem e à redução dos riscos de alagamentos.
Prevenção e preparação dos cidadãos
Campanha de comunicação com foco na prevenção de incêndios e nos cuidados com a saúde durante momentos de calor extremo.
Capacitação de moradores para o atendimento inicial em situações de risco e desastres. A segunda turma iniciou a capacitação existe uma semana. O treinamento é disponibilizado pelas próprias equipes da Prefeitura, das regiões de Defesa Civil, Clima, Saúde, Assistência Social, Orçamento Cidadão, e outros órgãos parceiros, como o Corpo de Bombeiros
Ações em andamento para confrontar os eventos climáticos em Campinas
Construção de reservatórios para armazenar água da chuva, os piscinões;
Implantação protocolo integrado no Pico das Cabras, em Joaquim Egídio, para prevenção e apoio a incêndios, em conjunto com os municípios de Morungaba e Itatiba, que fazem limite com Campinas naquela área.
Radar meteorológico metropolitano que atinge um raio 100 km da Unicamp, em operação desde 3 de dezembro;
Uso de drones com marca termal.
Serão oito no total, quatro já em funcionamento;
Emissão de alertas em celulares e paineis digitais no município com avisos de risco de alagamentos;
Utilização de binóculos infravermelhos através da Defesa Civil;
Uso de mensagens por SMS para recebimento de alertas sobre eventos extremos;
Mapa de conectividade para desastres, que identifica o sistema de telecomunicações da cidade em casos de desastres e defende mais agilidade no preenchimento das informações;
Implantada estação meteorológica do campo grande em 2025;
Desassoreamento dos 48 córregos da cidade três vezes por ano;
Intensificação de limpeza de bocas de lobo e galerias de águas de chuva;
Capacitação de equipes comunitárias de emergência através da Defesa Civil em conjunto com bombeiros, Saúde, Seclimas e Assistência Social. Será ampliada para mais secretarias;
Capacitação de equipes servidores para atuar em estiagem;
Simulado no beco do Mokarzel para casos de inundações;
27 microflorestas com 36 mil mudas de árvores plantadas;
A meteorologisa do Cepagri, Ana Ávila, explicou os possíveis impactos do El Niño a contar do segundo semestre deste ano
Cenário
A intensidade do El Niño para este ano ainda é incerta. Serviços de meteorologia indicam a possibilidade de um fenômeno de moderado a forte. O acontecimento climático pode aumentar a frequência e a intensidade de ondas de calor, secas, incêndios e chuvas intensas.
O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Roubado, destacou a necessidade do trabalho integrado em vários setores para o enfrentamento aos extremos climáticos e lembrou da microexplosão, ocorrida existe 10 anos em Campinas. “A reação operacional, o envolvimento das equipes foi fundamental para lidar com a situação. Foi uma lição definitiva que nós tivemos. Agora estamos mais preparados e é um trabalho contínuo de aprimoramento das medidas e das ações. A natureza sempre pode surpreender”, explicou.
A meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, Ana Ávila, explicou a formação e os impactos do El Niño e exemplificou as mudanças climáticas nas regiões do país. O presidente da CPFL, Rafael Lazzaretti apresentou as ações da CPFL para prevenir e amenizar situações de extremos climáticos.
Também participaram do acontecimento a primeira-dama Maria Giovana Fortunato, os secretários municipais de Serviços Públicos, Ernesto Paulella; de Clima, Braz Adegas Júnior; de Educação, Patrícia Lutz; de Saúde, Lair Zambon; presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni; presidente da Sanasa, Manuelito Magalhães; presidente da Mata de Santa Genebra, Rogério Menezes, e os vereadores Luiz Rossini, Luiz Yabiku e Nick Schneider.
Com informações de O Regional



