O avanço de cidades como Campinas no saneamento básico contrasta com um problema ainda longe de ser resolvido no Brasil. Milhões de pessoas continuam sem acesso à água cuidada e à coleta de esgoto.
Dados do ranking mais recente do Instituto Trata Brasil mostram que, seis anos depois de o marco legal do setor, somente uma pequena cota das maiores cidades brasileiras conseguiu universalizar os serviços. Na prática, isso significa assegurar abastecimento regular de água e coleta e tratamento de esgoto para praticamente toda o povo.
A desigualdade é evidente. Hoje, aproxamadamente metade do esgoto produzido no país ainda não é cuidado e quase 40% da água potável se perde nas redes de distribuição antes de chegar às casas. O cenário impacta diretamente a saúde pública, com aumento de doenças, além de gerar prejuízos ambientais e econômicos.
Enquanto isso, algumas cidades conseguem avançar de forma consistente. É o caso de Campinas, que lidera, através do terceiro ano consecutivo, o ranking entre as grandes metrópoles brasileiras. O município apresenta índices próximos da universalização, com atendimento praticamente total de água cuidada e altos níveis de coleta e tratamento de esgoto.
Além da cobertura, Campinas também se destaca através da eficiência. O índice de perdas de água fica bem abaixo da média nacional, resultado de investimentos contínuos em infraestrutura e tecnologia, como a modernização de redes e sistemas de monitoramento.
Para o presidente da Sanasa, Manuelito Magalhães Júnior, o resultado reflete uma combinação de planejamento e investimento no decorrer dos anos.
“Esse tricampeonato da cidade de Campinas, que continua na liderança do saneamento entre as metrópoles brasileiras por 3 anos seguidos, reflete a seriedade do trabalho desenvolvido na Sanasa”, afirmou.
Na área, Limeira também aparece bem posicionada no ranking nacional, mesmo com variações de colocação no decorrer dos anos. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Saneamento, o município preserva níveis elevados de atendimento urbano de água e esgoto, além de bons índices de eficiência, particularmente no controle de perdas.
Diferente de Campinas, onde o serviço é público, o saneamento em Limeira é operado por uma concessionária. A prefeitura destaca que a mudança de posição no ranking não representa piora nos serviços e que o município continua próxima da universalização.
O levantamento reforça que, embora existam exemplos positivos na área, o Brasil ainda enfrenta um grande desafio para ampliar o acesso ao saneamento básico. A falta desses serviços impacta principalmente as regiões mais vulneráveis e evidencia que o avanço ainda ocorre de forma desigual no país.
Especialistas apontam que ampliar investimentos, melhorar a gestão e assegurar fiscalização são passos importantes para diminuir esse déficit. Enquanto isso, cidades como Campinas e Limeira continuam como referência e mostram que a universalização é viável, mas ainda distante da realidade de grande parte dos brasileiros.
Com informações de Portal CBN



