Eles se relacionavam existe oito meses. Aos dois, a primeira agressão assustou e acendeu um sinal de alerta.
Apesar de ter sido aconselhada a registrar queixa, esta mulher que não vai ser reconhecida por razões de segurança diz que sentiu medo das ameaças feitas através do ex-companheiro.
Seis meses depois, ela decidiu por final ao relacionamento e passou a ser perseguida e agredida através do ex-companheiro. O episódio mais grave envolveu até mesmo a mãe da vítima.
Casos como este se multiplicam através da área, ainda sob a sombra das estatísticas.
Encorajar a vítima a fazer a denúncia ainda é um dos maiores desafios para que nós saibamos qual a real dimensão dos casos de violência doméstica.
Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, obtidos através do Grupo EP via Lei de Acesso à Informação, mostram que entre 2021 e 2025, exclusivamente 49% das mulheres registraram boletins de ocorrência no mesmo dia da agressão.
Outros 25,2% das vítimas procuraram as delegacias no dia seguinte, e 15,7% entre dois e sete dias depois dos ataques.
O registro é importante, mas o tempo também acaba sendo inimigo para que os agressores sejam localizados, detidos e responsabilizados pelos crimes.
A advogada especialista em Direitos das Mulheres, Jaqueline Gachet, avalia que um dos gargalos ainda fica no acolhimento às vítimas de violência e na validação dos relatos.
De fato, as Delegacias de Defesa da Mulher são a porta de entrada para o começo de qualquer processo de investigação de uma agressão contra a mulher.
Em Campinas, um dos locais é a unidade que se encontra na Avenida Antônio Carlos Sales Júnior, no Jardim Proença, onde a delegada-titular Ana Carolina Bacchi, orienta que a vítima tem direito a vários mecanismos para protegê-la do agressor.
Mas e depois da agressão? Os serviços referenciados também são caminhos para oferecer um apoio especializado às vítimas.
Em Campinas, esse encaminhamento é assumido através do CEAMO (Centro de Referência e Apoio à Mulher), na Rua Onze de Agosto, como explica a coordenadora da unidade, Grasiela Bispo.
Sobre o caso que você ouviu no começo da reportagem, a CBN Campinas apurou que a vítima registrou a ocorrência contra o agressor e passou através da perícia policial, duas etapas indispensáveis para entrar com pedido de medida protetiva.
A garantia pode incluir a proibição de aproximação e de contato entre agressor e vítima, assim como o encaminhamento para iniciativas de proteção, como casas-abrigo ou programas de proteção.
Hoje, ela optou por morar, momentaneamente na casa da patroa para assegurar o distanciamento do ex-companheiro.
Além da Delegacia de Defesa da Mulher do Jardim Proença, outra unidade à disposição para registrar um boletim de ocorrência em Campinas é a 2ª DDM, junto com a Delegacia Seccional no Jardim Londres.
O serviço de direção pode ser feito por telefone, através do Disque 180. Casos de agressão também poderão ser comunicados, à todo tempo, através do telefone 153 da Guarda Municipal e através do 190, da Polícia Militar.
Através da PM ou através da GM, o procedimento padrão inclui o deslocamento de uma viatura até o endereço, a direção das vítimas para o registro da ocorrência e, eventualmente, a autuação do agressor em flagrante.
Com informações de Portal CBN



