O Consultório na Rua, em cooperação com a equipe do Centro POP, realizou na manhã desta sexta-feira, 13 de março, em Campinas, a atividade “Mulheres em Movimento: Reflexão, Cultura e Cuidado no Centro POP”, em continuidade às ações do mês de luta das mulheres.
A atividade iniciou com uma dança circular, conduzida ao som de uma música que remete às raízes e à ancestralidade das mulheres negras. O momento levou ao espaço um convite à conexão, à força coletiva e ao reconhecimento das histórias que atravessam a trajetória das que participam.
Em seguida, foi feita uma roda de conversa orientada pelas perguntas “O que é ser mulher?” e “Como é ser mulher na rua?”. As que participam compartilharam vivências, percepções e desafios, dando visibilidade a experiências marcadas por resistência, sobrevivência e luta cotidiana.
O encontro foi finalizado com uma discussão sobre o cuidado com a saúde da mulher, evidenciando a necessidade do autocuidado, do acesso aos serviços de saúde e da construção de redes de apoio. Mais do que uma atividade pontual, a ação comprovou a necessidade de criar espaços de escuta, fortalecimento e protagonismo para mulheres em situação de rua, reconhecendo suas histórias, lutas e potências.
Vozes da Rua
Na tarde de quinta-feira, 12 de março, o Centro POP realizou o encerramento da atividade “Vozes da Rua: protagonismo e reflexão no Centro POP”, desenvolvida em formato de ciclo de rodas de dialoga com foco na escuta capacitada das pessoas atendidas através do serviço.
No decorrer de três encontros, foram usadas fichas com perguntas norteadoras, permitindo que cada participante escolhesse o tema que mais dialogava com sua própria trajetória. A proposta buscou criar um espaço seguro de fala, reflexão e compartilhamento de experiências sobre o cotidiano de quem vive a realidade da rua.
As respostas, registradas manualmente pelos próprios que participam, resultaram em reflexões sobre o significado de “viver a rua”. Os relatos evidenciaram dualidades dessa vivência: de um lado, o peso da invisibilidade social e do preconceito; de outro, a caridade entre pares, o orgulho de amparar o próximo e a persistência em manter a dignidade diante das adversidades.
Durante as rodas de conversa, também ganharam destaque a desconstrução de estigmas frequentemente associados à população em situação de rua, particularmente em relação às atividades de trabalho realizadas na rua, como a reciclagem, e às múltiplas causas que podem trazer a essa condição, entre elas o desemprego e a ruptura de vínculos familiares e sociais.
Ao dar voz às trajetórias e valorizar o conhecimento produzido por quem vivencia essa realidade, o Centro POP fundamenta seu papel não unicamente como equipamento de assistência, mas também como território de escuta, reconhecimento e resgate da cidadania. Todo o material produzido durante os encontros será planejado em seguida em uma publicação coletiva, com o objetivo de dar visibilidade às vivências, reflexões e potências dessa população.
A atividade foi desenvolvida através da assistente social Sharon Moraes e Castro Franco e através da agente de ação social Juliana Veríssimo Baggio.
“O Centro POP cumpre um papel fundamental ao oferecer não apenas atendimento, mas também espaços de escuta, reflexão e fortalecimento de vínculos. Essas ações mostram a importância de olhar com sensibilidade para a população em situação de rua, reconhecendo suas histórias, seus direitos e a necessidade de ampliar redes de cuidado e apoio, especialmente para as mulheres”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
Com informações de RMC Urgente


