Em sua pior crise financeira, impedido de operar voos através da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civic), o grupo Voepass acaba de conseguir mais 180 dias da justiça para não ser cobrado por credores enquanto tenta tornar viável seu plano de recuperação judicial.
Além de tudo, realizou mudanças em seu controle societário para ter mais recursos para pagar as dívidas.
No mês passado, as ações das empresas da companhia de Ribeirão Preto passaram a ser 100% controladas através da MAP Transportes Aéreos e não mais através da Passaredo Transportes Aéreos que teve o certificado de operador aéreo caçado através da ANAC.
Com a inversão das empresas subsidiárias, o objetivo é tentar tornar viável negociação de 92 slotes, que são as cotas de pousos e decolagens em aeroportos do Brasil, ainda pertencentes à companhia, isso tudo avaliado em mais de R$ 182 milhões e com isso, preservar o pagamento das dívidas.
A mudança no comando foi um dos argumentos usados através da companhia em uma petição de tutela de urgência apresentado no começo do mês de setembro para tentar impedir que a ANAC redistribua os slotes remanescentes da Voepass.
O pedido ainda não foi avaliado através da justiça. O que se espera é que uma Assembleia de Credores defina o plano de recuperação judicial agora no mês de outubro.
A reportagem perguntou a ANAC sobre a disponibilidade desses slotes, mas não conseguiu um retorno. Também fizemos contato com assessoria de comunicação da Voepass, que não enviou nenhuma resposta.
A Voepass, que também já operou com nome de Passaredo, atendia 16 destinos e já foi considerada uma das maiores companhias aéreas do país, mas desde março deste ano foi proibida de operar, depois que a ANAC reconheceu falhas de segurança e determinou providências, sobretudo depois de o desastre que matou 62 pessoas no mês de agosto do ano passado em Vinhedo.
Quem também fica na fila para receber a rescisão trabalhista da companhia Voepass é Alessandra Morales. Aos 45 anos, ela tenta recomeçar a vida profissional como corretora de imóveis em Ribeirão Preto.
Apesar dessas decisões, o grupo ainda tenta através de outros recursos não analisados, incluir a Passaredo Transportes Aéreos na recuperação judicial.
Com informações de Portal CBN


