Campinas fica em alerta com as novas tarifas impostas através do governo norte-americano aos produtos exportados através do Brasil. No município, aproxamadamente 25% das exportações, que totalizam aproxamadamente R$ 1,5 bilhão, vão para os Estados Unidos e, deste total, segundo estimativas preliminares, 40% poderão ser afetadas através da nova tarifa, dentre eles produtos da indústria automobilística e têxtil, máquinas e equipamentos agrícolas e artigos e aparelhos ortopédicos.
O segmento que produz pneumáticos novos de borracha, motores e geradores elétricos (exceto dos grupos electrogéneos), bombas de ar ou de vácuo e transformadores elétricos também podem ficar fora da taxação de 50%, desde que estejam relacionados com a aviação civil. Esses produtos representam 46,9% da produção exportada.
Outros 19,5% das exportações de Campinas para os EUA em 2025 não estão em nenhuma categoria dos itens listados como exceção às tarifas do decreto norte-americano. A análise preliminar é que os produtos da indústria automobilística e têxtil, máquinas e equipamentos agrícolas e artigos e aparelhos ortopédicos sejam taxados em 50%.
“Campinas está discutindo os impactos do tarifaço com prefeitos da Região Metropolitana e de todo o país, por meio da Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas. Temos que levar este debate ao conhecimento do Governo Federal e Estadual e discutir ações para minimizar a situação dos exportadores”, explicou o prefeito Dário Saadi. “Iniciamos o levantamento de como o tarifaço pode afetar os municípios desde que ele foi anunciado”, completou o prefeito que também trará o tema para a próxima reunião do Conselho da Área Metropolitana de Campinas.
A RMC reúne 20 municípios e mais de 3 milhões de habitantes e é uma das maiores exportadoras do Estado de São Paulo. “Os impactos do tarifaço serão amplos e exigem respostas coordenadas”, completou o prefeito, que ressaltou, ainda, que este será o tema da próxima reunião do Conselho da RMC, no dia 20 de agosto.
Impacto nas contas públicas
O secretário de Finanças de Campinas, Aurílio Caiado, explicou que não existe impacto imediato nas finanças da cidade, mas isso não diminui a preocupação. “A sobretaxa nas exportações do município com certeza vai impactar a economia da cidade e isso traz reflexos para a arrecadação da Prefeitura. É um efeito dominó. Se houver fechamento de empresas, redução de salário ou aumento do desemprego isso impacta no consumo e a cidade arrecada menos e a demanda social aumenta”, explicou.
Comissão da FNP
Campinas foi confirmada como integrante da comissão nacional de cidades exportadoras para dialogar com o governo federal e estadual sobre medidas para minimizar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
A primeira reunião do grupo foi na próxima quarta, 6, com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Entre as ações, os governantes municipais destacaram o iminente fechamento de postos de trabalho nos municípios e perda de arrecadação fiscal. Eles também entregaram um documento com as principais demandas das cidades, entre elas o auxílio a pequenas e médias empresas por intermédio do programa Reintegra e a necessidade da busca de outros mercados. Entenda o tarifaço dos EUA
A medida norte-americana, oficializada através do presidente Donald Trump, impõe uma tarifa adicional de 40% sobre produtos do Brasil, totalizando uma taxação de até 50%. Apesar da criação de uma lista com quase 700 itens que ficarão isentos – como aeronaves, suco de laranja, combustíveis e madeira –, a decisão deve impactar vários setores produtivos do país, principalmente em regiões com alto volume de exportações, como é o caso de Campinas e da Área Metropolitana de Campinas. O tarifaço entrou em vigor na próxima quarta, 6 de agosto.
Com informações de O Regional


