Em celebração ao Dia das Mães, festejado domingo agora, 11 de maio, a Mata de Santa Genebra, em Campinas, informou imagens registradas por armadilhas fotográficas instaladas através da equipe técnica da ARIE Mata de Santa Genebra, sob gestão da Fundação José Pedro de Oliveira (FJPO).
Entre os registros fica o de uma onça-parda seguida de dois filhotes. A imagem, feita durante a noite, mostra a mãe caminhando com os pequenos através da mata — um raro momento de aprendizado na natureza. Veja aqui.
Onça-parda: a mãe protetora da Mata de Santa Genebra
As onças-pardas são mamães solitárias e extremamente cuidadosas. A participação do macho se limita à fecundação. A gestação dura em torno de 90 dias, e cada ninhada pode ter de um a quatro filhotes — em casos excepcionais, até seis.
A mãe escolhe um local protegido para montar o ninho onde os filhotes permanecerão pelos primeiros três meses de vida. Neste momento, ela se afasta exclusivamente para se alimentar e beber água. Com início daí, os pequenos iniciam a acompanhar a mãe, que os ensina a encontrar alimento, água e abrigo. O cuidado materno continua até os filhotes completarem em torno de 1 ano de idade, quando passam a buscar seu próprio território.
Mesmo depois de esse momento, a mãe pode tolerar a presença dos filhotes por mais algum tempo, mas, se não se dispersarem naturalmente, ela os afasta para que conquistem sua independência.
“As oncinhas ficam sob os cuidados da mãe por cerca de 1 ano, quando então estão prontos para seguir sua jornada por conta própria, buscando um novo território para se estabelecer. Os machos não participam dos cuidados com os filhotes. Eles migram pelos territórios de diversas fêmeas para reprodução”, contou o biólogo Thomaz Henrique Barrella.
Na Mata de Santa Genebra as armadilhas fotográficas, instaladas através da equipe técnica, têm registrado regularmente a presença de onças pardas desde 2012, com registros de fêmeas e machos.
Onças-pardas
As onças pardas são animais com uma ampla distribuição, habitam vários ambientes e ocorrem desde a Argentina até o Canadá. São animais solitários, de hábitos preferencialmente noturnos, com pelagem de cor castanha, podendo atingir até 1,5 metro de comprimento (sem a cauda) e pesar 70kg. As fêmeas em geral são menores que os machos. Vivem até 13 anos, média de 7 a 9, e sua área de vida pode alternar de 65 a 600 km2.
Não são animais de natureza agressiva e buscam impedir o contato com animais grandes (seres humanos, inclusive). São carnívoros e alimentam-se de animais de pequeno e médio porte. As onças-pardas estão inclusas, no estado de São Paulo, na categoria “vulnerável de ameaça”. As principais ameaças a esses gatos são a perda de habitat, a caça e os atropelamentos.
Outras mães da fauna que vivem na Mata de Santa Genebra
- Gambás: mães com bolsa e muitos filhotes
Os gambás são marsupiais como os cangurus e as fêmeas possuem uma bolsa (marsúpio) onde os filhotes completam seu desenvolvimento. Uma ninhada pode chegar a 11 filhotes. Depois de uma gestação de exclusivamente 12 dias, os recém-nascidos se deslocam até a bolsa atraídos através do cheiro do leite e permanecem ali até estarem mais desenvolvidos.
Quando maiores, passam a se agarrar ao dorso da mãe e, aos poucos, exploram o ambiente. A independência total ocorre por volta de 90 dias depois de o nascimento.
- Macaco-prego (Sapajus nigritus): vínculo materno forte e duradouro
O macaco-prego (Sapajus nigritus), espécie comum na Mata Atlântica do Sudeste e Sul do Brasil, destaca-se através do forte vínculo entre mãe e filhote. O cuidado materno é essencial para o desenvolvimento físico, social e emocional da cria. O filhote se mantém agarrado à mãe por meses. O desmame ocorre por volta dos 8 meses, mas o laço dentre eles perdura até que atinjam a idade adulta.
Sobre o corredor ecológico
O planejamento da Fundação José Pedro de Oliveira é reconectar os grandes fragmentos de mata através do corredor ecológico que ligue a área da Mata de Santa Genebra à Fazenda Rio das Pedras, em Barão Geraldo, chegando depois aos grandes fragmentos como o Ribeirão Cachoeira na área de proteção ambiental (APA) de Campinas. “Essa reconexão com o plantio de mudas nativas gradualmente vai possibilitando que as onças circulem entre esses fragmentos vegetais, protegendo-as inclusive uma vez que elas vão circular num corredor ecológico restabelecido”, diz o presidente da FJPO, Rogério Menezes.
Com informações de RMC Urgente


