Conforme depoimento ao Ministério Público, a ex-servidora da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp, Ligiane Marinho de Ávila, revelou detalhes de como funcionava o plano de desvio de recursos do Instituto de Biologia da Universidade.
O vídeo do depoimento foi obtido através do Grupo EP. A mulher é suspeita de desviar R$ 5 milhões em recursos públicos de pesquisa, repassados através da Fapesp, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A investigação indica que as fraudes teriam sido feitas por intermédio de notas fiscais falsas e transferências bancárias.
No depoimento, colhido no mês de março deste ano, Ligiane afirma que pesquisadores tinham envolvimento no desvio do dinheiro destinado à pesquisa. Ela diz, por exemplo, que eles apresentavam pedidos de compras pessoais.
O caso é investigado através do MP nas esferas cível e criminal. O órgão aponta “inércia” por parte da Unicamp sobre os desvios. A promotoria determinou ainda que a Unicamp abra uma sindicância para apurar se houve participação de docentes no plano. A ex-servidora, que fica na Europa, é considerada foragida.
O MP afirma que os indícios sustentam a denúncia por improbidade administrativa contra a ex-servidora. O órgão aguarda respostas sobre a participação de propósito de professores no plano, que também apresenta fortes indícios.
Ligiane Marinho de Ávila. Foto: Reprodução/EPTV Um pedido de sindicância sobre o caso já foi aberto, mas foi arquivado através da universidade. O argumento é que os prejuízos financeiros já estão sendo arcados pelos docentes junto à Fapesp.
O ex-reitor da Unicamp, Tom Zé, à frente da instituição quando os desvios foram constatados, foi procurado através do Grupo EP.
Explicou que durante o momento em que esteve na gestão, não houve qualquer negligência sobre o caso, e que foi determinada a instauração de sindicância administrativa para apuração dos fatos. Afirmou que foram ouvidos vários servidores e analisados documentos.
A Fapesp ajuizou 34 ações de cobrança contra os pesquisadores responsáveis pelas contas envolvidas. Três docentes já foram condenados a devolver valores de até R$ 243 mil.
Para a Fapesp, a ex-servidora agiu de maneira de propósito e os pesquisadores agiram com negligência, por permitirem o acesso às contas bancárias dos projetos.
De acordo com o advogado de defesa da ex-servidora, Rafael de Azevedo, as transações foram feitas com o consentimento dos pesquisadores e da universidade.
Ligiane fica fora do Brasil desde fevereiro do ano passado, um mês depois das fraudes serem descobertas. A prisão preventiva da mulher foi pedida meses depois, no mês de setembro, além da quebra do sigilo bancário.
Um escritório de advocacia representa os 34 pesquisadores envolvidos. A defesa, representada através da advogada Camilla Cândido, pontuou que as irregularidades foram reconhecidas e denunciadas pelos próprios cientistas.
A Unicamp informou, em nota, que a Comissão de Sindicância sugeriu a adoção de medidas administrativas para melhoria dos escritórios de apoio, concluindo através do arquivamento do processo.
Explicou que o Ministério Público dirigiu à Universidade manifestação com pedido de abertura de sindicância administrativa, que será avaliado através da Universidade no período de 30 dias concedido para resposta.
Já a Fapesp explicou que reconheceu desvios de recursos públicos para pesquisa no Instituto de Biologia praticados de forma dolosa, ou seja, com intenção.
No entendimento da Fapesp, os pesquisadores responsáveis pelas pesquisas contribuíram culposamente para esses desvios, já que franquearam, indevidamente, o acesso de terceiros às contas bancárias vinculadas aos projetos.
Com informações de Portal CBN


